Recém-jornalista

Um Jornalista recém-formado, tentando entender sua própria escolha de profissão.

O caso Nando Reis: Minha Mídia ou Nossa Mídia?

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“Alguém poderia dizer ao Tostao que o interesse dos leitores paulistas sobre o Cruzeiro, é muito pequeno, pra não dizer ZERO”. (Nando Reis, via Twitter, Abril de 2011).

Pois é, depois de tudo que eu disse no post anterior, acaba que meu assunto chegou assim, via Twitter. Isso aconteceu no mês passado. Veja que o cantor só fez um comentário, que foi amplificado e distorcido pelos torcedores, que se sentiram desrespeitados e reagiram com palavrões e tudo mais – como manda a finesse futebolística.

Nando Reis em seguida se retratou pelas afirmações que fez em relação ao Tostão, talvez por medo de perder alguns fãs. Hoje em dia fã não é algo barato de se perder, principalmente por bobagens importantes como o futebol.

Estava lendo ontem um artigo de Fernando Resende – que era coordenador do curso de Jornalismo do Unileste em 2004, quando entrei – publicado em 2007 chamado O Discurso Jornalístico Contemporâneo (link  clicar em pdf). No meio da leitura me pus a pensar nesse caso em particular, e relacionando com questões como personalização de conteúdo e alcance com a mídia, pensei em escrever esse texto.

Quem falou que a mídia é sua? (Clique em “Leia mais” para continuar)

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Written by Luciano Alvim

1 de junho de 2011 at 12:30

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Contra o Jornalismo de Orkut

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Não é novidade pra ninguém que as novas tecnologias da informação facilitaram muito a vida dos jornalistas. Ok, a internet está aí mesmo, smartphones, tablets. Mas será que isso ajudou a melhorar o Jornalismo?

Quando eu estava na faculdade, o falecido professor Márcio Duarte explicava pra gente a ideia da camisa que fizeram pro curso: um homem curvado simbolizava o jornalista, que só olha pra seu próprio umbigo. É uma ironia, mas não deixa de ter um pouco de verdade.

O jornalista, como porteiro das informações (gatekeeper), não escreve pensando no público. O que se lê não é o que o público quer, e sim o que o jornalista acha que o público quer. Ou o que seu editor acredita ser o que as pessoas querem ler. Alguns ainda se dão ao trabalho de pensar em seu público, fazer uma matéria a pedidos da comunidade, ou baseado em pesquisa de opinião.

Como a internet facilitou tudo, o jornalista não precisa mais sair de sua cadeira para pesquisar algo. Desde o caso da menina Isabella Nardoni tenho reagido com horror a uma nova prática, que é o título desse post. Repetindo: O Jornalismo de Orkut.

Três anos atrás, no G1: “Mãe de menina que sofreu queda do 6º andar desabafa no Orkut” (link).

Quando começaram a escarafunchar orkuts alheios para publicar nos jornais, eu já fiquei meio mordido. Pior ainda foi quando os âncoras, em perfeito “globês”, começaram a noticiar que no perfil “de uma rede de relacionamento…” , tudo para não fazer propaganda. Pra não falar “orkut”, gasta-se o triplo do tempo.

O tempo é precioso na TV, mas evitar propaganda gratuita é mais. Mas quem não conhece aquele fundo azul do Orkut? Falando-se em termos de Brasil, a TV escancara uma imagem de uma “comunidade em uma rede social” e alguém não sabe qual site é? Eles se enganam, achando que estão enganando o público. É o cúmulo do umbiguismo.

Mas o Jornalismo de Orkut não é isso. O Jornalismo de Orkut simboliza toda a preguiça de uma nova geração de jornalistas. É a geração da Wikipedia, que leva barrigadas homéricas re-publicando linha por linha de artigos inteiros. Que fica o dia inteiro no Orkut e se justifica fazendo uma matéria inteira sobre “o movimento” dos internautas, publicando o que eles disseram na rede social.

É um jornalista que se põe a escavar a vida alheia em um site de relacionamento, oferecendo uma análise “profunda” do que a pessoa colocou em seu site pessoal. Como se tudo aquilo fosse verdade absoluta, os jornalistas ajudam a forjar personagens e a inventar notícias feitas de vapor – não por acaso, a matéria-prima das nuvens.

Veja dois jornalistas do O Globo – que aparentemente não tinham nada mais importante para fazer – analisando as citações bíblicas do assassino de Realengo, como se quisessem encontrar a explicação pro crime: “Perfil do Orkut atribuído a atirador de Realengo explora temas como morte, inferno e ressurreição” (link).

E não é exatamente essa a imagem que ele queria criar pra si mesmo? Um criminoso profundo, misterioso, digno de filme? Que assassino digno de nota teria em seu Orkut a comunidade “Bob Esponja Calça Quadrada?”

É uma aula de como o chamado jornalismo on-line está sendo afetado negativamente pelas novas tecnologias, parecendo revistas de fofoca – publicam qualquer coisa que suas fontes despejarem em seus Twitters e Redes Sociais. Sem análise. É a festa das assessorias de imprensa, que em alguns casos não precisam nem enviar os e-mails. É só postar.

“Twittou, virou manchete”.

Written by Luciano Alvim

31 de maio de 2011 at 14:24

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A foto que não tirei.

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(Estive viajando nesses últimos vinte dias, em férias com a família. Isso explica a inatividade no blog. Eu acho.)

Ontem estava passando de carro pelo Cariru, perto da Aciaria, no mesmo local em que tirei a foto do primeiro post desse blog.

Aconteceu uma batida entre dois carros. Um Siena e um Palio, se não me engano. Uma confusão. Não foi uma batida muito feia, mas foi no meio da rua, atrapalhou um pouco o trânsito. A colisão foi meio frontal, lado esquerdo contra lado esquerdo. Algum dos dois deve ter desviado de algo. Mas como estava tudo paralisado, provavelmente não chegaram a um acordo (“Cada um paga o seu hein!”) e deviam estar esperando a perícia chegar.

Estava com minha câmera ao lado, e cheguei a pensar em parar. Não parei.

Depois fiquei pensando no porquê.

Mais uma foto de acidente de trânsito? É só isso que acontece aqui?

O céu estava muito bonito. Era por volta de 18:30, estava indo na casa da minha namorada, com um ótimo humor.

Não quis perder nem um segundo daquele quase pôr-do-sol de dia chuvoso, as nuvens alaranjadas, o ar morno abafado de um pós-chuva de verão ipatinguense.

Em resumo: Os dois carros bateram. A lataria estava amassada. Os motoristas estavam nervosos. A polícia estava acalmando a situação. Os passantes estavam curiosos. E eu não tive curiosidade para tentar capturar algum detalhe do fato.

Já descrevi a foto que não tirei.

Written by Luciano Alvim

14 de janeiro de 2011 at 19:59

Publicado em Acidentes, Fotografia

Ética e Individualismo

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(Contei esse caso pelo menos dez vezes nas últimas duas semanas. Todos os meus amigos e familiares já estão de saco cheio dele. Mas vou contar aqui também, com algumas reflexões.)

O concurso

Fui a Belo Horizonte participar de um Concurso Público. Estavam disponíveis quatro vagas para Jornalista (com diploma), a ser disputadas por 792 candidatos, para a UFMG. O salário base era R$3.000,00 para 30 horas semanais.

Foi meu primeiro concurso público. Não estudei muito, li apenas fragmentos de três dos 17 livros da bibliografia – pois só acordei pro concurso na semana da prova. Serviu como experiência, pra sacudir um pouco o cérebro que em seis anos não fizera nenhum outro “vestibular”.

Caminhei da entrada principal da UFMG até a Faculdade de Farmácia, que fica do outro lado do campus. Fui enganado pelo mapa, que não mostra a topografia do terreno; ninguém tinha me preparado para a ladeira que eu teria que encarar no sol quente das 13 horas. E fui de calças, pois antes do almoço o céu estava nublado. Devia ter escolhido a bermuda.

Cheguei no prédio de Farmácia exausto. Estou fora de forma, depois de pelo menos um ano longe de atividades físicas regulares. Me canso após dois lances de escadas. Fui até minha sala, e não havia ventiladores, apenas as janelas abertas. Sentei-me nas cadeiras de madeira, que mais pareciam tronos. Como ainda faltavam vinte minutos para o início da prova, sentei e comecei a relaxar.

Já tinha deixado meu telefone e a bolsa de lápis na frente da sala, como requisitado. Estava relembrando mentalmente a matéria que estudara no dia anterior – Assessoria de Imprensa, minha maior fraqueza depois de Rádiojornalismo – e respirando fundo, buscando descansar da caminhada. Não estava nervoso, me sentia calmo e relaxado.

Um relógio mostrava as horas. A prova estava marcada para 14:00 em ponto. Atraso significaria desqualificação imediata do candidato. Nesse momento eu já esperava o início da prova. Mas as pessoas continuavam chegando. Aproveitei o tempo extra que me era dado para continuar pensando. Já não estava mais suado; entrava uma brisa fresca pelas janelas abertas.

Nada de começar a prova às 14:15. Eu já estava quase cochilando, precisei trocar a posição pois minha perna direita estava dormente. Alguns já estavam impacientes com o atraso. Eu não. Aproveitava cada minuto daquela sala. Fiquei imaginando se todas as salas eram iguais. E como minha vida teria sido se eu tivesse me formado ali.

Às 14:30, o clima mudou.

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Written by Luciano Alvim

9 de dezembro de 2010 at 14:15

Publicado em Concurso Público

Um carro bateu em um poste…

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… e isso é notícia?

Quando um cão morde um homem, isso não é notícia, pois acontece com frequência. Mas se um homem morde um cão, isso é notícia” (Frase atribuída a John B. Bogart, editor do New York Sun)

Cinco horas da manhã, passando pelo Cariru, a alameda Kiyoshi Tsunawaki estava escura. Atropelei alguns galhos de árvores que teoricamente serviam de aviso para os carros, de que um acidente acontecera. À minha frente, um poste caído, e vários curiosos. Não estava com a minha câmera; ao dar meia-volta para ir buscá-la, vi a ambulância chegando ao local.

Cerca de dez minutos depois, os únicos restantes eram os bombeiros (que se foram embora em seguida) e os policiais. Um Fiat Uno preto ainda se encontrava esmagado na calçada. Perguntei ao bombeiro se tinha alguma vítima fatal, se tiveram de retirar o motorista das ferragens, e fui respondido que a vítima já estava no hospital, mas sem ferimentos graves. Ele também não ficou preso no carro, mas foi retirado com cuidado para evitar qualquer trauma.

Aí sim, é notícia!

Poste em alta velocidade bate em Uno Mille

Saí pensando em várias coisas. Uma delas é no Jornalismo mundo-cão. Comecei a me interessar por fotojornalismo este ano ainda, quando comprei minha Canon T2i. Acho que é mais justificável do que tentar fotografia publicitária ou cobertura de casamentos e aniversários. Afinal, me graduei em Jornalismo.

Só que eu estou realmente praticando o fotojornalismo? Estou fazendo algo diferente do que qualquer passante com uma câmera digital comum poderia fazer? Ou só estou cobrindo tragédias?

Será que eu poderia ter tirado uma foto diferente?

Nessa foto, temos os sujeitos. O Uno, e o poste. O motorista já foi retirado, os bombeiros já foram embora. Não existe mais ação; cheguei tarde demais.

Além disso, era noite, o que me limitava ao raio do meu flash.

Quero tentar aprender mais sobre fotojornalismo. Na verdade, preciso me encontrar como jornalista, o tipo de histórias que conseguirei cobrir, como contá-las. O mecânico disso se ensina na faculdade, já aprendi. Mas não quero que isso se torne mecânico; queria que fosse do meu jeito.

Ainda vou descobrir que jeito é esse. Quem quiser saber, pode me seguir.

Written by Luciano Alvim

20 de novembro de 2010 at 7:26

Publicado em Acidentes

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